A utilidade do minimalismo na era da ansiedade e do consumo

Ao contemplar uma perspectiva pragmática de minimalismo – adaptando-o para essa vida pós-moderna -, me questionei sobre como manter a sanidade numa sociedade viciada no consumo de coisas, pensamentos e feeds.

Percebi, então, que tudo volta para o que hoje é a principal moeda: a atenção. E isso tanto no aspecto individual, quanto sócio-econômico.

A pressão absurda que se sente, o vazio, a falta de sentido no trabalho, a ansiedade e o niilismo generalizado, se tornaram parte recorrente do nosso dia a dia, de modo a não tratarmos com a devida profundidade.

Vejo o minimalismo como uma ferramenta útil para lidar com tudo isso.

Minimalismo

Na minha perspectiva, minimalismo significa priorizar. E implica em ter clareza sobre o que é importante pra mim – o que de fato está no topo da minha estrutura hierárquica de valores -, seja concernente às coisas externas, pensamentos ou à “camada digital” da minha vida.

Enxergo isso se aplicando e dividindo nesses 3 camadas: coisas, pensamentos e digital.

Coisas

De forma bem simples, aplicar o minimalismo às coisas externas significa ganhar clareza sobre tudo isso que você acumula no seu armário, quarto e casa. E literalmente desenhar num papel uma pirâmide (pra uns num papel A4, pra outros numa cartolina). Dividir esse triângulo em camadas, e ir organizando ali o que é mais importante (em cima) e o que é menos importante (embaixo). Depois que tiver feito isso, incorpora essa hierarquia de forma prática, ou seja, se livre do que é desnecessário, inútil e que não faz sentido para você.

Obs.: pode ser mais difícil do que parece – pensar sobre isso é fácil. Fazer, nem tanto.

Pensamentos

Talvez a palavra “meditação” seja suficiente para você deixar de ler esse texto (ou minimamente adotar uma postura cética perante o mesmo – não que isso seja ruim), mas talvez seja justamente o que te faça continuar aqui.

De uma forma ou de outra e independentemente das tuas concepções prévias, quero introduzir uma ideia: a meditação como treinamento da atenção consciente. E respiração e silêncio como as ferramentas utilizadas nesse treinamento.

Ambas estão relacionados a dois aspectos inerentes à nossa experiência: o psicológico e o fisiológico.

Técnicas de respiração ajudam a treinar atenção, direcionando-a para um único ponto. Além de ajudarem a bombear oxigênio na corrente sanguínea.

E o silêncio, que não é simplesmente parar de falar. Mas de fato aprender a cessar os ruídos internos.

Então você permite o silêncio – focando na sua respiração – e treina sua atenção.

Dessa forma e com o tempo, se aprende a fazer isso em lugares (internos e externos) diversos. Esse estado se torna um recurso, para agir em vez de reagir. E quando der por si, perceberá que aquele fluxo desenfreado de pensamentos não era mais do que consequência inevitável do fato de que nunca se havia aprendido a direcionar a sua atenção.

Você não controla os pensamentos – eles aparecem -, o que você pode fazer é decidir onde você irá fincar a flecha da sua atenção consciente.

Minimalismo Digital

Frente a relação distópica que muitos de nós temos com nosso querido aparelho telefônico celular, sinto que falar sobre o aspecto digital é nada menos que necessário – ou até de utilidade pública.

Minimalismo digital tem minimamente duas camadas: a primeira está relacionada ao tempo que se passa nesse ambiente digital; e a segunda, para simplificar, relacionada com quantas pessoas você segue.

A maior parte das pessoas que dizem não ter tempo se surpreenderiam com a gritante contradição quando se olha para a soma das horas que se passa no Instagram, Facebook, Whatsapp, etc., ao longo de 1 ano.

Se você fica 2 horas por dia, por exemplo, no celular, isso é literalmente 1 mês inteiro (de dias completos sem dormir) que você está alocando para essa experiência, no período de 1 ano (pode fazer a conta).

Obs.: o problema não é ficar no celular, mas não ter controle sobre isso.

Sim, ter um feed infinito não ajuda, se sentir sem energia não ajuda, achar que está perdendo alguma coisa se não atualizar a página a cada dois segundos também não ajuda. Mas tudo isso não precisa ser parte inerente da forma como nos relacionamos com essa tecnologia.

Ainda estamos na infância, se não adolescência, da era digital. Porém, precisamos amadurecer – enquanto indivíduos e sociedade – nesse sentido.

Uma coisa que eu incorporei foi seguir menos de 100 pessoas no Instagram; raramente entrar no Facebook; e sair de 75% dos grupos de Whatsapp.

Obs.: ainda estou tentando deixar de andar com o celular pela casa (inclusive parar de levá-lo para o banheiro).

Recentemente assisti um vídeo sobre esse assunto que pode ilustrar bem esse aspecto do digital.

No mais, sinto que tudo isso é adaptável e por isso pode ser extrapolado para os mais diversos casos. E sinto que uma perspectiva minimalista sobre os aspectos internos e externos pode ser extremamente útil como uma das ferramentas utilizadas para fazermos mais do que sobreviver a essa era distópica de ansiedade e consumo.

por Rafael Jordão.

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