um convite para o desconhecido

um convite.

existem fios e camadas inteiras da experiência humana que nós ignoramos completamente.

e talvez você esteja feliz na camada que você está, vendo o mundo da forma como você vê, mas provavelmente, eventualmente, alguma coisa vai acontecer que você não conseguirá explicar.

“isso” se chama “caos”, desconhecido, novidade — e vem sendo representado de maneiras diferentes, por meio de figuras e histórias, ao longo de milhares de anos, através de inúmeras culturas.

e “isso” vem de fora — é além do que nossa forma de ver o mundo atualmente consegue abarcar ou “dar conta”.

pode vir na forma de algo trágico, violento ou simplesmente estranho, novo.

e, nesse instante, você recebe um convite — mesmo que não tenha percebido ainda.

você pode recusá-lo; e recortar e reduzir o que está acontecendo até caber nas limitadas caixas do conhecido.

ou você pode aceitá-lo; e começar o processo extremamente fascinante de transformar, expandir e aprofundar, a estrutura por meio da qual você vê “o mundo”.

perceba, o que aconteceu foi que sua concepção “de tudo” foi desmascarada e mostrada como “insuficiente”.

e, tá tudo bem – acredite -, porque ela nunca será total; o problema justamente está na gente achar que é (e “pregar” nossa “absoluta verdade fixa dogmática perfeita revelada” por aí).

então, se você pisa fora do conhecido, atendendo aquilo que te convida, você vivencia (normalmente) inicialmente, o que se experimenta como “aspectos negativos” do caos – ou talvez, simplesmente, sejam esses que, primeiro ou mais intensamente, alertam nossos sentidos e nosso ego.

medo, desespero, ansiedade, coração acelerado, vozes internas surtando, o mundo mexendo toda vez que olhamos pro lado, insegurança, instabilidade: “estou perdido”, “eu não sei o que fazer”, “eu não sei o que está acontecendo” — ótimo! — significa que você saiu da vila, do condado, da cidade onde nasceu… ou, minimamente, é assim que é muitas vezes representado “o conhecido” nos filmes, contos e etc.

muitas vezes envolve, mais pra frente, uma luta com um monstro (dragão ou outro qualquer), um desafio, uma aventura… e se você vence, você volta mais forte do que quando você saiu.

tudo isso são representações dramáticas de um símbolo antigo, que comunica a necessidade e importância (apesar do perigo e da dificuldade) de des-bra-var-mos: de adicionarmos novas camadas; de expandirmos nossa “estrutura interna”, torná-la mais “forte” – o que não quer dizer, necessariamente ou apenas, mais rígida: estrutura e flexibilidade precisam ser equilibradas – o prédio mais forte não é o mais “duro”, mas aquele que permanece de pé depois que o terremoto passa; é dar a ela (nossa estrutura interna) raízes mais profundas (mais camadas, na minha linguagem), que a permitam sobreviver às tempestades.

e, às vezes, a transformação pode ser tão intensa, que pouco sobra da estrutura anterior.

fênix — o símbolo mais difundido dessa transformação; da queima do antigo e do nascimento do novo a partir das cinzas.

o fogo também entra aí como símbolo, não quer dizer literalmente queimar o antigo e o novo vai nascer – e por mais óbvio que isso possa parecer, os humanos se mostraram de novo e de novo, totalmente capazes de (e/ou facilmente influenciáveis a) interpretar símbolos, metáforas e parábolas, de forma até, absurdamente literal… o que fode o plantão.

então, reforço, símbolo não é signo.

São Jorge matando um dragão não significa literalmente que um doidãoe foi lá e que o dragão existia.

tendo dito isso, repito: existem camadas inteiras da experiência humana que nós ignoramos completamente.

precisamos, enquanto indivíduos e sociedade, estar mais bem preparados para aceitar o convite do desconhecido, do novo, do estranho, para nos aventurarmos, sobrevivermos e voltarmos, mais “fortes”, “maiores” e mais “profundos”, mais amadurecidos, flexíveis e sábios — mais conscientes da imensidão do que dorme nas camadas desconhecidas e inconscientes da nossa experiência.

te digo: existem “portais” – metáfora – para essas experiências.

podem tomar a forma de uma viagem, interna ou externa, intensa e/ou sublime, uma nova relação, uma nova área de conhecimento, uma nova camada, etc.

esses portais foram diversamente representados: como o buraco do coelho em “Alice no País das Maravilhas”; o armário, em “Nárnia”; a plataforma 9¾ do “Harry Potter”; etc.

assim como os “chamados para aventura”: como no “Matrix”, “Senhor dos anéis”, “O Hobbit”, etc.

de início e para que tudo isso possa acontecer, é necessário coragem.

coragem para ir além do conhecido, adentrar o desconhecido e o inconsciente.

coragem para desbravar as possibilidades humanas.

dessa forma, torno explícito que esse texto é um convite.

que esse rascunho de pensamento é um convite – um chamado para aventura – para desbravarmos a mata densa e fechada do que não fomos capazes de conceber até agora.

um convite.

por Rafael Jordão

e se você quiser continuar em outra frequência, veja também: Você não está enlouquecendo – entenda os 3 tipos de vozes interiores.