um rio não é uma de suas curvas - transformações

contexto e transformações

A frase “um rio não é uma de suas curvas” nasceu do confronto com as transformações que vivenciei.

“só uma cerva salva”

A primeira foi relacionada a bebida alcoólica. Resumindo: passei de alguém que bebia, pelo menos, 3 ou 4 vezes na semana, que amava ficar no bar – de acordo com o cara que tocava música ao vivo: “mobília da casa” -, para “simplesmente” parar de beber. E não sentir mais falta.

obs.: só não tatuei o rótulo da antártica original na batata da perna porque preferia gastar todo o meu dinheiro de fato bebendo uma cerva – e não necessariamente algo “tão glamouroso”, em tempos de vacas magras ia a mais barata que tinha no bar, no depósito (ou na padaria).

“beck to the future

Quando eu falei “simplesmente” (parei de beber), as aspas eram por causa disso. O que ocorreu foi que foi mais fácil parar porque eu comecei a fumar. E, ao meu ver, os ganhos eram melhores e o lado negativo menor.

Virei vegetariano gasoso – só fumava plantas. Criei uma relação quase existencial com a cannabis. Literalmente a utilizava para tudo. Acordava, fumava, lia, saía do quarto da república, fumava conversava. Íamos pro bandejão, fumava na fila, comia, saía e fumava um digestivo, ia pra aula, fumava no intervalo, e assim seguia…

Mas eventualmente eu também parei de fumar. Assim, simplesmente. Dessa vez sem aspas. Pois percebi que a minha relação tinha deixado de ser da utilização de uma ferramenta extremamente útil, para algo que (justamente por facilitar o acesso a um estado em que eu me sentia tão bem – e essa é a parte contra-intuitiva) me permitia permanecer confortavelmente numa situação de vida de merda.

“Alface e outras drogas”

Nesse processo, parei de beber refrigerante (“se eu parei com a cerva, o que é um refri” – pensei), parei de comer carne, depois leite, queijo e, por último, todos os produtos alimentícios contendo derivados de animais. Diminuí bastante o açúcar e perdi 20 kg. Hoje me sinto melhor do que em qualquer outro momento da minha vida… e – tá preparado? – agora minha família se preocupa mais com a minha saúde do que na época que eu enchia a cara todos os dias em que tinha a oportunidade… rs?

Vai fazer 5 anos que estou no melhor e mais saudável relacionamento da minha vida. Ela é a outra autora dos textos desse site, que criamos juntos – Débora Aymée – eu te amo, meu amor ;).

Saí de “não quero trabalhar porque vou ter que fazer a barba” para arrumar um emprego com o objetivo de juntar dinheiro e investir nos meus próprios projetos.

Comecei um canal no YouTube, que hoje tem 14.000 inscritos – e é só o começo.

OBSERVAÇÃO: não é moralismo – leia o texto todo, rs.

Não, eu não estou dizendo “pare de beber”, nem “pare de fumar”, nem “você deve comer x ou y”. Tudo que falei até aqui foi para exemplificar as transformações a partir da minha experiência pessoal, para que não fique algo abstrato e distante, que poderia muito bem ser inventado.

aspectos micro e macro

Até agora, explicitei basicamente o “aspecto macro dessas transformações. E, apesar de ser a parte que todo mundo gosta de falar sobre, não é a parte mais importante da equação.

O aspecto macro é: “parei de beber”; “parei de fumar”; “quem eu era”, etc – é retrospectivo. É a identificação/criação de diferentes “fases” na sua vida, em função dos contrastes percebidos entre elas – antes da curva e depois da curva.

O aspecto micro é tudo antes e tudo depois desse ponto fictício no tempo-espaço que chamamos de “mudança” – é durante, ou, o próprio processo.

É ótimo reconhecermos as curvas do rio ao longos dos anos. Mas estas são o resultado direto de milhões de minúsculas alterações no sentido das margens – milímetro a milímetro.

Quais curvas você já viveu? Quais te esperam a frente? Qual você está vivendo agora?

Talvez não seja praticável mudarmos nossa estrutura psicológica, mas definitivamente é possível experimentarmos colossais transformações na personalidade criada a partir dela.

Por Rafael Jordão.

E se você quiser permanecer em outra frequência, veja também: Você não está enlouquecendo – entenda os 3 tipos de vozes interiores.