3 tipos de vozes interiores

Todo mundo “ouve vozes” porque todo mundo “fala sozinho” – a questão é a profundidade da conversa.

Só quando você presta atenção nas vozes internas de forma desapegada, ou seja, não se identifica mais com seus conteúdos, é que você pode começar a verdadeiramente observá-los. Isso é meditação (ou mindfulness).

Durante as minhas experiências de idas e vindas desse estado (de observador), pude sentir e discernir 3 tipos de vozes internas.

1° – papo furado interno

O primeiro tipo é o “papo furado interno” – que é basicamente um ruído mental – normalmente no formato de palavras, frases e/ou diálogos.

Esse tipo é composto somente por elementos conhecidos e caracterizado por sua superficialidade.

2° – conversa organizadora

A “conversa organizadora“, diferente do tipo anterior, não é mais composta apenas por aspectos conhecidos, nem mais somente superficial.

O tempero desconhecido sobre o conhecido se desdobra de duas formas gerais: a descoberta de novos aspectos de – e/ou uma nova perspetiva sobre – algo que já se conhecia.

É uma luz diferente, pode iluminar mais e/ou pontos diferentes.

Ela traz ordem e clareza.

Observação: ela pode ser desencadeada se você se fizer uma pergunta.

3° – inspiração

Utilizo as palavras aqui com muito cuidado – por agora sinto serem suficientes como conceitos para comunicar uma experiência.

O terceiro tipo de voz interna não é nem sequer uma voz – “não confunda a lua com o dedo apontando para a lua“.

Nós percebemos. Isto é um fato concreto. Mas o que percebemos não é um fato concreto, porque aprendemos o que perceber. Algo lá fora afeta nossos sentidos. Esta é a parte real. A parte irreal é o que eles dizem estar lá.”

O Fogo Interior – Carlos Castaneda

Algo emerge ou é percebido. Quase ou imediatamente – e talvez inevitavelmente – damos uma forma: “me veio um pensamento”; “vi uma imagem”; “uma frase apareceu na minha cabeça”.

O que aqui estou chamando de inspiração – e escolhi essa palavra por causa da sua carga histórica – é justamente essa experiência muitas vezes descrita com um elemento externo ao sujeito. Em que a pessoa que vivencia por vezes parece “não tomar crédito” pelo que foi criado ali, seja um quadro, uma ideia, um livro ou a solução para um problema.

O que vem depois do desconhecido?

Talvez, quando silenciamos o ruído mental, exploramos o desconhecido e organizamos o conhecido, podemos ainda ser confrontados com um último aspecto da experiência humana: o incognoscível.

E me parece que a inspiração nasce dessa experiência.

Mas entenda: nada do que se diz, pinta, escreve – ou envolve, contorna e delimita, com a forma que for -, pode realmente comunicar o que não tem como ser concebido – apenas presenciado.

O que não invalida a expressão artística ou articulação dessa experiência – apenas as coloca em seu lugar.

Estes são os 3 tipos de vozes que fazem parte da nossa experiência como indivíduo aqui, que pude discernir até agora.

Por Rafael Jordão.

E se quiser permanecer em outra frequência, veja também: Quando a nossa mente funciona como uma pesquisa no Google.