estado de flow e estado meditativo

Um estado interno diferente daquele que normalmente experimentamos, é algo que muitos indivíduos e tradições inteiras buscaram ao longo de toda história. O resultado disso foi a descoberta de técnicas, meios e ferramentas, para realizar tal transição.

E seja este concernente a uma mudança neuroquímica e/ou relacionado com uma alteração no padrão das ondas cerebrais, em ambos os casos, a resultante pragmática é a seguinte: uma mudança sutil ou extremamente significativa na nossa percepção, interpretação, sensação e abordagem, sobre os mais diversos aspectos da nossa experiência como indivíduo aqui.

A meditação talvez seja a mais famosa dessas técnicas. E, apesar de absurdamente antiga, permanece mal-compreendida em muitos níveis. Em parte por causa das muitas ramificações e vertentes. Toda essa difusão de informação e conhecimento, por vezes, gera também uma boa quantidade de confusão – literalmente.

Falo especificamente de dois estados. Ambos são muito referenciados em conversas, livros, grupos e palestras, cujas temáticas variam de espiritualidade e autoconhecimento até produtividade e alta performance.

E estes são: estado meditativo e o estado de flow.

Estado de Flow

Para aqueles que ainda não estão completamente familiarizados com o termo. O flow normalmente é caracterizado por um estado subjetivo, interno, em que “não se percebe o tempo passando” – um estado de fluidez.

Este estado ocorre durante uma ação associada a uma forte emoção positiva ou, em outras palavras, quando você faz algo que ama. E se sente atravessa por um fluxo: você está 100% no movimentovocê é o movimento.

Por exemplo, eu entro nesse estado quando estou tendo conversas que fascinantes, sobre os aspectos mais profundos da experiência humana.

Estado Meditativo

Para os poucos a quem o Google ainda não mostrou uma propaganda sobre meditação, vou resumir da forma como vim a entender através de estudos, mas principalmente – e só recentemente – de um insight que tive na prática.

O estado meditativo é um estado de “atenção plena” – ou, como ficou popularizado: mindfulness.

E isso significa ter 100% da sua atenção consciente direcionada para sua experiência no momento presente.

Por exemplo, o insight que mencionei, foi sobre “prestar atenção à sua respiração”. Eu percebi que quando tentava fazer isso, na verdade, o que eu estava fazendo era “controlando a minha respiração”. O que fazia com que eu me sentisse pesado. E parecia que se eu não controlasse conscientemente a minha respiração, meu corpo iria parar de respirar.

Então, poucos dias atrás, eu estava sentado na minha cama dobrável, recostado no armário ouvindo uma música meio lo-fi, oriental, calma. Quando, numa fração de segundo, percebi que estava consciente enquanto meu corpo respirava. E eu sei que isso pode parecer nada. Porém, o fato de ser simples não tira a profundidade da experiência.

Naquele momento eu entendi que “prestar atenção na sua respiração” não significa controlá-la.

Eu estava tentando controlar, enquanto tudo que eu precisava fazer era sentir – e estar completamente consciente enquanto meu corpo respirava.

A diferença entre flow e meditação

Se você leu o texto com plena atenção, talvez já tenha percebido a diferença: o estado de flow não necessariamente envolve “estar consciente”. Pelo contrário, ele está intrinsecamente relacionado a um flow inconsciente de movimentos, no qual “você” está imerso.

Enquanto o estado meditativo (mindfulness) exige atenção consciente.

Observação: talvez – só talvez -, da mesma forma que é possível estar consciente enquanto seu corpo respira (inconscientemente), também seja possível observar enquanto você está em flow.

Essa observação é uma especulação – eu nunca tive essa experiência -, mas imagino que talvez num nível muito alto desse treinamento da atenção e da desinibição do corpo, possa ser possível um alinhamento entre os dois estados. O que me parece extremamente poderoso, diga-se de passagem.

Por Rafael Jordão.

Enfim, espero que a leitura tenha trazido clareza sobre o tema, assim como diferentes perspectivas e insights. Eu espero realmente que tenha sido útil para ti.

E se você quiser permanecer em outra frequência, veja também: Quando a nossa mente funciona como uma pesquisa no Google.