Quando a nossa mente funciona como uma pesquisa no Google

“Às vezes nossa mente funciona como uma pesquisa no Google: você escolhe o que vai pesquisar, mas não o que vai aparecer.”

Há milênios o funcionamento da nossa mente (ou psique) é algo que gera toda sorte de questionamento.

Quando publiquei a frase supracitada, onde faço uma analogia da mente com a pesquisa do Google, uma pessoa perguntou: “E quando nos identificamos com a mente? Como sair? Parece uma matrix.“.

E por entender a importância da pergunta e a possível relevância da resposta para outras pessoas, decidi desdobrá-la aqui. Pois imagino a quantidade de pessoas que se fazem essa mesma pergunta em diferentes momentos da vida.

um passo atrás

Talvez você nem sequer tenha concebido qualquer possibilidade de “não se identificar com a mente“. O que isso de fato quer dizer?

Essa frase se baseia na percepção, já antiga em algumas tradições, de que “você não é sua mente“. E, logo, que você não precisa se identificar com (ou se apegar a) ela, da mesma forma – trazendo para minha analogia – que você não precisa se identificar com todas as “respostas” que aparecem quando você pesquisa algo no Google.

“Se eu não sou minha mente, eu sou o que?”

Essa pergunta é uma das reações mais comuns à proposição anteriormente apresentada. E a resposta para ela é simples: observe que você verá.

E aqui entra uma recomendação: a meditação é uma das técnicas mais antigas para experimentar esse estado – que precisa ser vivido na prática, e não apenas aceito intelectualmente.

Observação: independentemente da perspectiva que você possa guardar sobre esta técnica (meditação), seja positiva ou negativa, quero apenas apresentá-la como uma ferramente pragmáticadesatrelada de qualquer sistema de crenças. Você pode usar o método que lhe servir melhor, o que quero falar é sobre o estado.

Seja levitando em posição de lótus no topo da montanha ou jogado no sofá escutando lo-fi, existe, em ambas situações, a possibilidade de você observar.

Ou seja, de você realmente prestar atenção.

É isso que hoje em dia chamam de “mindfulness” (“mind“significa literalmente “mente“, e “fulness” dá uma noção de plenitude, totalidade). Mas que poderia ser entendido como “atenção plena“, em português.

Então, perceba, não é necessariamente “parar de pensar” ou ficar sentado até seus joelhos e suas costas começarem a doer. E sim se tornar capaz de ficar presente e prestar completa atenção na sua experiência. Observando tudo que aparece – incluso seu feed infinito de pensamentos que surge quando você tenta meditar (ou vai ver que você só toma de fato consciência dessa funcionalidade – nunca acaba – quando o faz).

É um treinamento, só que da sua atenção.

Dessa forma, proponho a aventura heroica de completar 5 respirações profundas prestando 100% da sua atenção ao ar entrando e saindo do seu corpo.

Quando perceber que estava em outro lugar completamente diferente, pensando sobre os cenários mais aleatórios do mundo, não se surpreenda ou se frustre, apenas volte a buscar as cinco respirações. E, se conseguir, repita o processo. Veja quantas você consegue. E me fale como se sentiu.

Se você fizer isso durante 10 minutos por dia, em pouco tempo perceberá a diferença. E terá a resposta para a pergunta que motivou esse texto.

Você saberá – não apenas entenderá – no momento em que tiver mesmo que um lapso de plena atenção que, seja uma coceira no rosto, uma emoção ou sentimento “negativo”, um pássaro ou uma pessoa cantando ou gritando do lado de fora, tudo isso aparece e desaparece; emerge e submerge, à consciência e na inconsciência, respectivamente. No budismo, chamam esse aspecto da vida de impermanência.

Mas o grande insight vem quando você percebe que mesmo perante todas estas transformações, algo permanece: o observador. E que, logo, se você fosse sua mente, quem é que a estaria observando?

Espero realmente que esse texto seja útil pra ti. E se você sentir que outras pessoas podem gostar e/ou precisar dessas palavras, compartilhe com elas.

Por Rafael Jordão.

Então, quando terminar de meditar, se você quiser continuar em outra frequência, veja também: A utilidade do minimalismo na era da ansiedade e do consumo.