7 livros que transam filosofia, psicologia, imagens, contos e poesia

Meu objetivo ao trazer 7 livros que transam filosofia, psicologia, imagens, contos e poesia, é mostrar que essas áreas – que prefiro entender como camadas ou formas de ver/expressar – são complexas, mas ainda assim palpáveis. E que não são (ou não precisam ser) mutuamente exclusivas e inatingíveis.

Espero realmente que estes livros sejam úteis pra ti.

Tao – o curso do rio | Alan Watts

Para todos aqueles que buscam uma introdução ou aprofundamento, não só no taoismo, mas numa forma diferente de ver o mundo, recomendo este livro. A obra foi escrita por Alan Watts e concluída por AI Chung-Liang Huang, seu amigo, depois de sua morte.

Nele, Watts atravessa os principais conceitos que permeiam essa filosofia e, recorrendo aos escritos de Lao Tzu e Chuang-Tzu, desdobra de maneira simples e genial alguns dos escritos mais antigos de toda uma tradição.

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Assim Falava Zaratustra | Nietzsche

Esta obra é a máxima expressão da filosofia de Friedrich Nietzsche. O próprio autor admite em outros livros que nem mesmo ele superaria o que foi capaz de realizar com Zaratustra.

A linguagem imagética e metafórica do filólogo se concretiza de forma poética e visceral. Contém camadas e camadas de significado em cada um de seus aforismos e, mesmo quem não entende nada de filosofia, acaba por se fascinar pelo livro.

Li “Assim Falava Zaratustra” duas vezes até hoje, com um intervalo de 3 ou 4 anos entre as leituras. Na primeira, eu achei realmente que tinha entendido alguma coisa. Porém, quando li pela segunda vez, percebi que não tinha como saber o que ele de fato queria dizer, pois me faltava o “contexto” necessário para isso.

Na época, eu não tinha noção suficiente do que significa “Amor Fati“, “Eterno Retorno“, “Além-homem” (“Übermensch“, no original), “Vontade de Poder” e a famigerada e mal-compreendida “Morte de Deus“. No entanto, achei o livro instigante em ambas situações – por motivos diferentes. E tenho certeza que ao ler pela terceira vez, terei uma perspectiva ainda mais esclarecedora sobre quanto eu não entendi na segunda leitura.

Este autor que fala para os espíritos livres precisa ser lido em camadas. Não é uma leitura de uma vez, um livro e acabou. Ele era denso demais para isso.

Obs.: recomendo a tradução do Paulo César de Souza.

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O Homem e seus Símbolos | Carl Jung

O último livro de Carl Jung e único direcionado para o público em geral. E, por isso, uma recomendação inevitável para todos aqueles cujo interesse aponta na direção da absurda profundidade da psique humana.

O criador da psicologia analítica organizou e concebeu este livro, mas não o escreveu sozinho. Ele leva as palavras de pessoas próximas a ele, que se especializaram em sua abordagem. Jung introduz, com o capítulo “Chegando ao Inconsciente”, e assina embaixo de todos os outros.

O livro foi finalizado 10 dias antes de sua morte. A própria história de como essa obra “aconteceu” já é por si só fascinante, e está na introdução feita por John Freeman.

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Ficcções // O Aleph | Jorge Luis Borges

Recomendo ambos livros, sinceramente, porque lia os dois ao mesmo tempo e não lembro o que fica em qual. Ambos compostos por contos do escritor que – diga-se de passagem – tinha uma capacidade peculiar de comunicar uma ideia sem que você se dê conta de que ela está sendo passada. E, quando termina a última frase, tudo aquilo se encaixa.

Um mergulho interessante em diferentes perspectivas sobre a vida, através da arte escrita de Jorge Luis Borges.

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Fernão Capelo Gaivota | Richard Bach

A obra de Richard Bach é uma viagem sutil por palavras e imagens que pode ser vivido numa tarde. O li uma vez, em 40 minutos. Um livreto que contém algumas reflexões sobre individualidade, sobre acreditar em si mesmo (mesmo quando parece loucura para aqueles que não o fazem) – sobre criar o seu próprio caminho.

Foi o segundo livro do autor que li, o primeiro sendo o “Ilusões – As Aventuras de um Messias Indeciso“. Em ambos é encontrada a leveza na escrita e a capacidade de trazer de forma extremamente simples algumas das reflexões inerentes a experiência humana.

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Fernando Pessoa Poesias

O mestre das poesias simples e profundas, Fernando Pessoa, em toda sua pluralidade, expressa sensações e sentimentos e ideias através de heterônimos.

Entre eles: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, etc., personagens tão bem elaborados que podem ser confundidos com diferentes autores – e talvez o sejam, psicologicamente.

Para os que não sabem, Pessoa era – além de poeta – filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português.

Tendo realizado todos esses escritos, ele morreu com apenas 47 anos. Sua última frase foi “I know not what tomorrow will bring”, que se traduz por “Eu não sei o que o amanhã trará“.

A obra “Fernando Pessoa Poesias” é um compilado recente de variados heterônimos.

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Para finalizar, explicito que cada livro recomendado é uma representação particular de um autor. Não se limite a isso, se te fascina, mergulhe na obra, fale, converse, escreva, pinte, cante, grave, pense, sinta, sobre.

Por Rafael Jordão.

Então, se quiser se manter em outra frequência, veja também: 5 passos que um espírito livre precisa dar para não se conformar.