Castaneda livros ideias

Carlos Castaneda foi um dos autores mais controversos de sua época. Era visto como gênio ou louco, e sua escrita – até hoje – causa fascínio ou aversão.

uma dissertação de mestrado que mudou tudo

Castaneda publicou seu primeiro livro (e dissertação de mestrado) em 1968, com o título original “The Teachings of Don Juan – a Yaqui way of knowledge“. A tradução literal e mais coerente seria algo como: “Os ensinamentos de Dom Juan – o modo/caminho Yaqui do conhecimento”. -Porém, chegou ao Brasil com o título de “A Erva do Diabo” – pasme!

O livro narra os encontros entre ele, estudante, querendo aprender sobre “plantas medicinais”, e um brujo mexicano chamado Dom Juan. Castaneda diz relatar no livro as experiências conforme vivenciadas. A partir daí, cabe ao leitor decidir o que acha e sente sobre.

A sequência original tem 9 livros. E depois foram escritos mais um com sua participação e outros organizando alguns de seus escritos.

Primeira verdade sobre a consciência

“A primeira verdade é que o mundo é como parece, e entretanto não é. Não é tão sólido e real como nossa percepção é levada a crer, mas também não é uma miragem. O mundo é uma ilusão, como tem sido dito; ele é real por um lado, e irreal por outro. Preste muito atenção nisso, pois deve ser compreendido, e não simplesmente aceito. Nós percebemos. Isto é um fato concreto. Mas o que percebemos não é um fato concreto, porque aprendemos o que perceber.
Algo lá fora afeta nossos sentidos. Esta é a parte real. A parte irreal é o que eles dizem estar lá.”

Sobre “a águia” e os antigos videntes

“Disse que os antigos videntes, arriscando-se a perigos inimagináveis, viam realmente a força indescritível que é a fonte de todos os seres sencientes Chamaram-na de Águia, porque nos pequenos vislumbres que podiam suportar, viam-na como algo que se parecia com uma águia branca e preta, de tamanho infinito.” (…).

“Mas a Águia não tem nada de visual. O corpo inteiro do vidente sente a Águia. Há alguma coisa em todos nós que pode fazer-nos testemunhar com nosso corpo inteiro. Os videntes explicam o ato de ver a Águia em termos muito simples: o homem é composto das emanações da Águia, e assim precisa apenas reverter aos seus componentes originais. O problema surge com a consciência do homem; é sua consciência que se torna emaranhada e confusa. No momento crucial, no que deveria ser um simples caso de emanações dando conta de si mesmas, a consciência do homem é compelida a interpretar. O resultado é uma visão da Águia e das emanações da Águia. Mas não existe Águia nem emanações. O que existe é algo que nenhuma criatura viva pode compreender.” (…).

“Acrescentou que há uma certa imprecisão naquela versão, e que pessoalmente não apreciava a ideia de algo que nos devora. Para ele, seria mais correto dizer que existe uma força que atrai nossa consciência, como um ímã atrai limalha de ferro. No momento da morte, todo nosso ser se desintegra sob a atração dessa força imensa.” (…).

Sobre o Guerreiro

“Os guerreiros combatem a vaidade por uma questão de estratégia, e não de princípio. – argumentou Dom Juan – seu erro é compreender o que digo em termos morais.”

“Sabemos que nada pode temperar tanto o espírito de um guerreiro quanto o desafio de lidar com pessoas intoleráveis em posições de poder.”

“Dom Juan disse que o sentido de oportunidade é a qualidade que governa a liberação de tudo o que está contido. Controle, disciplina e paciência são como um dique por trás do qual tudo é represado. O sentido de oportunidade é a abertura do dique.”

Observação

Os trechos não são uma sequência ininterrupta, mas foram todos extraídos do livro “O Fogo Interior”, do Carlos Castaneda. Em sua maioria, são falas do Dom Juan, ou descrições do que ele falou pelo próprio autor.

por Rafael Jordão.

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