Por que fingimos que não temos escolhas e o peso da responsabilidade

Em algum momento nós, humanos, acreditamos que fechar os olhos para o nosso leque de escolhas e para nossa responsabilidade nos ajudaria de alguma forma.

A primeira vez que ouvi falar sobre escolhas, foi com o filósofo Jean-Paul Sartre. A perspectiva dele me caiu tão bem, que escolhi fazer faculdade de filosofia. Me encantou saber que eu tinha escolhas e que todas às vezes em que eu negava isso ou fugia da minha responsabilidade sobre elas eu estava agindo de má-fé.

A professora de filosofia no ensino médio deu um exemplo muito bom para ilustrar. Você chega atrasada no compromisso, mas ao invés de você assumir que foi sua responsabilidade você diz: “peguei muito trânsito”.

De fato sabemos que o fator trânsito existe, mas quando você usa ele para tentar se safar você está agindo de má-fé.

Um postura diferente seria você expressar que: “Cheguei atrasa porque me atrasei, não medi o tempo corretamente”. É um tom bem oposto.

Não vou aprofundar na visão de Sartre sobre escolhas, má-fé, nem nada.

O que quero trazer hoje é a perspectiva de que mesmo levando em consideração de onde viemos, qual a nossa história e como nos sentimos, nós sempre teremos um leque de opções na vida.

Nosso cérebro é uma máquina de obediência: dê para ele as informações certas; ofereça os impulsos para ele criar os melhores hormônios; indique suas verdadeiras vontades; e ele irá realizar.

Muitas pessoas não sabem que possuem uma das pedras preciosas da existência dentro da própria cabeça. E, veja bem, ela foi dada para todos!

O peso da responsabilidade

Há um peso que, mais cedo ou mais tarde, em alguma fase da vida, todos começamos a sentir: o peso da responsabilidade. E, quando entendemos que somos responsáveis sobre como nos sentimos, o peso fica ainda maior.

Não participamos da invenção da maior parte ou totalidade das responsabilidades que temos. Em sua maioria, elas já estavam ali – atreladas a isso de “crescer” na sociedade em que nascemos. Como a responsabilidade de tirar boas notas, passar na faculdade, ir bem no concurso, ter um emprego, se bancar… “ser adulto“.

Todo mundo já sentiu que iria explodir ou ser esmagado por essa pressão externa “atmosférica-social“.

Quando criança nos ensinam justamente o oposto: que não temos tanto controle assim sobre a nossa própria vida. Durante a adolescência: que basicamente temos que seguir na obediência. Mas o tom de imposição dessa antiga proposição se intensifica drasticamente se não sairmos da casa dos nossos pais, ao tropeçarmos e cairmos na fase adulta.

O que quero dizer é que limitações todos nós temos. Diferentes em grau e aspecto, sim, mas ainda limitações. A chave vira quando realizamos que em todos nós há um repertório de escolhas diante das nossas circunstâncias. E, entenda, esse repertório pode ser assustador, contendo apenas duas opções: vida, com todo seu aspecto trágico; ou morte. Porém, ainda se caracteriza a escolha.

Foi isso que em deu muito poder e me moveu para vida de maneira diferente (lá em 2012) quando saía do ensino médio – saber que não importa tanto quantos limões eu tenho, mas sim o que eu faço com eles, simplesmente transformou a minha vida.

Eventualmente a ficha de que “se prosseguimos, é por escolha” precisa cair.

Não sei sobre a sua realidade, mas se você está lendo esse texto, não é por acaso e já demonstra que pelo menos algum poder de acesso você tem. Para te inspirar, eu vou deixar uma frase aqui do próprio Sartre para ilustrar mais uma vez:

Não importa o que a vida fez de você, mas o que você faz com o que a vida fez de você”.

Jean-Paul Sartre

por Débora Aymée

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